Se a Terra definhar - Por Rodolfo Salm

Os astronautas da Estação Espacial Internacional poderão tomar urina e suor reciclados, graças a um novo sistema de recuperação de água que custou US$ 250 milhões. Segundo os que a provaram, o gosto da água destilada proveniente das excreções humanas não é mau. Sobre tratar-se de uma experiência um tanto quanto asquerosa, uma astronauta observou que a questão é psicológica e que basta pensar que a água que ingerimos na Terra é filtrada indefinidamente nos organismos e evaporada, voltando na chuva, de forma que bebemos água reciclada todos os dias. A notícia interessou-me em especial porque o que mais chamou a atenção dos leitores em meu último artigo nesta coluna foi a idéia do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, de que "mesmo se a Terra definhar, acharemos um meio de escapar para outros pontos do Universo".

Um colega biólogo que vive hoje nos Estados Unidos, João Marcelo Pereira Alves, notou que a idéia da aposta em um futuro de ficção científica com soluções mágicas para os problemas ambientais é extremamente popular naquele país (bem mais que no Brasil).

Resumidamente, o pensamento central é que os cientistas e engenheiros vão inventar um jeito de consertar tudo e ainda criar formas de lucrarmos com isso. A ciência já deu passos incríveis. As viagens espaciais à Lua e possivelmente a Marte em um futuro não tão distante e a engenharia genética, que mistura características de várias espécies são alguns exemplos. Podemos plantar feijões no espaço (como fez o astronauta brasileiro Marcos Pontes) e até viver fora da Terra em um pequeno grupo por algum tempo. Nossa engenhosidade parece não ter limites. Como João Marcelo bem observou, "só por que a tecnologia fez coisas incríveis no passado, e continua fazendo em muitos casos, acha-se que vai continuar fazendo pra sempre e em qualquer circunstância". Mas isso não é de forma alguma verdadeiro, especialmente se envolve sistemas ecológicos de alta complexidade, como aqueles capazes de sustentar a vida humana.

A impossibilidade da colonização de planetas inóspitos como saída para a humanidade é bem ilustrada nas dificuldades enfrentadas pelo projeto Biosfera 2, custeado por um bilionário texano e muito discutido no início da década de 1990. O projeto, que pretendia servir de base para o planejamento de projetos de colonização espacial, consistia em uma imensa estufa de 12.000m², construída no deserto do Arizona ao custo de US$ 200 milhões. Completamente isolada do exterior, tentava criar um ambiente totalmente auto-suficiente, em que seres humanos e outras espécies de animais e plantas "pudessem sobreviver através da reciclagem do ar e da água e da produção do próprio alimento" (clique aqui para mais informações).

Parece que, desde o começo, o Biosfera 2 tornou-se muito mais um inferno do que um paraíso terrestre. Os habitantes da estufa gastavam 95% de seu tempo fazendo sua comida crescer e cuidando de suas necessidades básicas de sobrevivência (e pior, com decrescentes taxas de oxigênio), não sobrando muito tempo para trabalhos científicos e nenhum para o lazer. Logo começaram a perder peso e brigas passaram a ser comuns, por conta de acusações de roubo de comida. Na curta duração do projeto, a maior parte das espécies inseridas na estufa extinguiu-se e a perda dos polinizadores, por exemplo, foi um desastre para as plantas. Por outro lado, as baratas multiplicaram-se. Apesar de não ter atingido seus objetivos iniciais, não se pode dizer que o projeto Biosfera 2 tenha sido um fracasso, porque mostrou justamente o que deveria: as imensas dificuldades de sobrevivência para o ser humano quando isolado do ambiente terrestre.

Voltando nosso habitat real, e não delirante-imaginário, os problemas ambientais estão em toda parte. Além do Xingu, vejo da minha casa aqui em Altamira uma ilha florestada e perfeitamente preservada. Mas isto por enquanto, pois, se construírem a famigerada hidrelétrica de Belo Monte, ela irá submergir. O esgoto in natura despejado diretamente no rio me traz de volta ao tema central deste artigo. Confesso que teria nojo daquela "urina reciclada" do sistema de recuperação de água da Estação Espacial Internacional, por mais limpa que seja. Mas a língua-negra de Altamira, diluída em um rio que drena uma área de cerca de 50 milhões de hectares (6% de todo o território brasileiro), não me impede de entrar na água.

Vamos fazer algumas contas. Reparem que só o sistema de reciclagem de água espacial para apenas seis pessoas custou US$ 250 milhões, quase o mesmo que todo o projeto Biosfera 2 aqui na Terra. Quanto então custaria construir no espaço toda aquela parafernália do Biosfera 2, do tamanho de um shopping center, com centenas de espécies animais de vegetais, computadores, sensores, propulsores, miniaturas de florestas e oceanos e que, apesar de toda esta complexidade, falhou em provar-se sustentável para a vida humana? E isto pensando em meia-dúzia de gatos pingados. Que dirá para a humanidade inteira ou parte significativa dela?

E, voltando ao assunto que mais me interessa: tomando-se aqueles valores (da alternativa espacial) como base, quanto valeriam os serviços de reciclagem de águas promovido pela bacia do rio Xingu, que envia água pura na forma de chuvas para a maior parte da nossa população na região sudeste? Eu mal consigo imaginar o número de zeros desta cifra.

Pensando assim, jamais faria sentido a construção da hidrelétrica de Belo Monte, que poria em risco este patrimônio natural. E fica claro que a idéia de que se a Terra definhar acharemos um meio de escapar para outros pontos do Universo é uma loucura. Vinda da cabeça de um ministro de "assuntos estratégicos", é uma picaretagem. Estratégico mesmo é lutar para preservar a Terra.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da Universidade Federal do Pará.

Sítios arqueológicos de Presidente Médici são indicados pelo IPHAN para reconhecimento como Patrimônio Mundial da UNESCO

O patrimônio arqueológico de Presidente Médici, região central de Rondônia, foi aceito na Lista Indicativa Brasileira de bens culturais passíveis de serem reconhecidos como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Recentemente, o IPHAN em parceria com a Prefeitura inaugurou um Centro de Arqueologia na cidade para receber os achados arqueológicos da região.
Para Beto Bertagna, o Superintendente Regional do IPHAN em Rondônia e Acre, “a região de Presidente Médici tem uma grande beleza cênica e uma alta densidade de sítios arqueológicos habitação lito-cerâmicos e de grafismos rupestres bastante diversificados advindos de contatos inter-étnicos.”

“- A região foi densamente ocupada e possivelmente utilizada como refúgio e trânsito entre diferentes ambientes, o que permite teorias que a apontam como o centro de dispersão dos povos tupi que itineravam por todo o país” – concluiu Bertagna.
Em 1972, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO estabeleceu a Convenção do Patrimônio Mundial para incentivar a preservação de bens culturais e naturais considerados significativos para a humanidade.
Essa Convenção enseja que estes bens tenham um valor universal e um interesse excepcional que justifique que toda a humanidade se empenhe em sua preservação, enquanto testemunhos únicos da diversidade da criação humana.

Sua construção e implementação resultam de um esforço internacional na valorização de bens, que por sua importância para a referência e identidade das nações, possam ser considerados patrimônio de todos os povos.

As informações sobre cada candidatura são avaliadas por organismos técnicos consultivos, segundo a natureza do bem em questão, e a aprovação final é feita anualmente pelo Comitê do Patrimônio Mundial, integrado por representantes de 21 países, entre eles o Brasil

O Presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida é o representante legal com direito a voz e voto.

Segundo Bertagna, a indicação vem em boa hora, num momento em que o patrimônio arqueológico de Rondônia, pela sua expressão e valor, ganha importância para a comunidade científica e a população.

“- Muitos curiosos estão dando opiniões completamente equivocadas na mídia, como se fossem , de fato, arqueólogos. Nós do IPHAN estamos atentos, no sentido de cumprir a legislação, protegendo e divulgando o patrimônio cultural brasileiro” – concluiu.

Nilton Capixaba participa de inaugurações em Rolim de Moura

O Secretário Adjunto da Casa Civil, Nilton Capixaba, foi o convidado de honra em solenidades de inauguração de obras no município de Rolim de Moura. Junto com a prefeita Mileni Motta, vereadores e lideranças comunitárias, Capixaba participou da inauguração da quadra poliesportiva no Colégio Municipal Dionísio Quintino. Ontem, Nilton esteve representado na inauguração de quadra no colégio Francisca Durand, obra viabilizada graças a emenda de 300 mil reais, assegurados no Orçamento da União em 2006 , através de Nilton, quando exercia o cargo de deputado federral

Outra emenda de Nilton Capixaba, presidente regional do PTB, destinou um milhão e duzentos mil reais para a pavimentação asfáltica de mais de quatro mil e quinhentos metros na Rua Rio Verde, beneficiando pelo menos duas centenas de famílias. Deixou também assegurados outros dois milhões de reais, devidamente empenhados, destinados à obras de pavimentação asfáltica. Nos pronunciamentos, tanto a prefeita Mileni Motta quanto diversos outros oradores aproveitaram para destacar o produtivo trabalho de Caixaba enquanto deputado federal.

Segundo a prefeita Mileni Motta, o prefeito eleito de Rolim de Moura também irá inaugurar obras resultantes de emendas de Nilton Capixaba. “Mesmo sem mandato, Nilton vem acompanhando a tramitação desses projetos, mostrando que também é possível dar uma contribuição importante mesmo sem mandato”, elogiou Mileni Motta.

Piloto cacoalense fica em segundo lugar na etapa final de Kart e avança seis posições na classificação geral

O piloto cacoalense Rhuan Maia obteve a segunda colocação na quarta e última etapa do Campeonato Estadual de Kart realizada no último domingo, na cidade de Ariquemes. O piloto, que começou a correr por hobby, aos 13 anos e hoje tem 16 anos, conseguiu a 4ª colocação na pontuação geral.

"Estou correndo o campeonato estadual, finalizado no fim de semana passado (15 e 16/11), sendo esta a minha primeira participação oficial em um de campeonato. Estou feliz pela ótima pontuação, não só por esse segundo lugar na última etapa, mas também pela classificação geral", disse.

Rhuan Maia ressaltou que a corrida foi realizada em duas bateriasm sendo que na primeira ele largou na Pole Position e sagrou-se vencedor. Na segunda bateria, quando o grid é invertido, ele largou em último, teve ainda uma falha no carburador e o motor não rendeu como na primeira bateria e por isso ele ficou com a 5º colocação, mas com o excelente desempenho da primeira etapa foi o suficiente para colocar-se em segundo lugar no pódium. A conquista do segundo lugar permitiu-lhe ainda subir 06 posições na classificação geral, saltando do 10º para o 4º lugar.

Ele destaca que é o único piloto de outra cidade em sua categoria categoria (6,5), que tem idade de pilotos minina de 14 anos, motores com livre preparação e vale destacar que ele não tem muitas oportunidades de treinar por falta de Kartodromo em Cacoal. "O jeito é treinar às vesperas das provas", disse.

AGRADECIMENTOS"
Agradeço a todos que me apoiaram ao longo dessa campanha, especialmente à minha família, aos amigos que torceram por mim e aos patrocinadores como a Bogoni Brazil, Águia Motos, TAM Viagens, e deputado Valdivino Tucura. Enfim, agradeço a todos os que confiam em meu potencial e estou sempre pronto a vencer novas etapas e novos desafios em minha carreira", conclui.

Presidente do PCdoB divulga carta do presidente Lula

Hoje, às 11h30, numa coletiva, o presidente nacional do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), Renato Rabelo, fará uma intervenção com a opinião do partido sobre a crise e a situação internacional. Na ocasião, será também apresentada à imprensa uma carta com uma manifestação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, que acontece de amanhã até domingo no Novoltel Jaraguá, em São Paulo (SP), e reúne cerca de 80 partidos de diversos países do mundo. O Novotel Jaraguá está localizado na Rua Martins Fontes, 71, centro.

Organizado pelo PCdoB, o Encontro reunirá representantes do Partido Comunista da China, de Cuba, da Bolívia, da Dinamarca, do Chile, da França, da Grécia, da Índia, da Holanda, da Espanha, da África do Sul e dos Estados Unidos, entre outros.


Durante três dias, serão discutidos a crise internacional, as contradições e os problemas nacionais, sociais, ambientais e antiimperialistas. Além disso, a luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso, o socialismo e a unidade de ação dos partidos comunistas e operários também são temas que farão parte dos debates.


“Será um momento propício para que os dirigentes dos cerca de 80 partidos de diversas partes do mundo realizem uma análise crítica e um debate profundo sobre a conjuntura mundial, lançando um olhar especial para a crise. Esta é a hora certa para fazermos a denúncia viva do capitalismo, unirmos os trabalhadores e os povos ao movimento e darmos visibilidade a alternativas viáveis a um sistema que se deteriora a cada dia”, explica o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho.

História do Encontro
O Encontro de Partidos Comunistas e Operários acontece desde 1998. Dos nove encontros realizados, sete aconteceram na Grécia, por iniciativa do Partido Comunista Grego. Em 2006, o evento foi em Portugal e, em 2007, na Rússia – quando o Brasil foi sugerido para sediá-lo devido ao destaque do país na América Latina, além da eleição de presidentes mais afinados com a luta dos trabalhadores na região.
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Construção de escola em União Bandeirantes é reivindicação de Valter Araújo

O deputado Valter Araújo (PTB) congratulou-se ontem com o Governo Estadual através do Departamento de Obras e Serviços Públicos, pelo atendimento de reivindicação de sua autoria apresentada na Assembléia Legislativa de Rondônia reivindicando a construção de uma escola estadual no distrito de União Bandeirantes pertencente ao município de Porto Velho. Mais de R$ 700 mil foram aplicados na construção do citado estabelecimento de ensino.

A indicação de autoria do deputado Valter Araújo foi apresentada na Assembléia Legislativa de Rondônia no dia 12 de março de 2007. Após os trâmites burocráticos, as obras de construção da escola foram iniciadas no mês de abril de 2008.

De acordo com o deputado Valter Araújo trata-se de uma obra moderna, e que vai atender uma expressiva demanda de crianças e jovens que não estavam sendo atendidos de forma satisfatória. Disse o parlamentar que efetivamente o governador Ivo Cassol entra para a história como o administrador dos investimentos ou simplesmente o maior "tocador de obras".

Ele aproveitou ainda para elogiar o empenho, profissionalismo e a abnegação dos servidores e gestores do Departamento de Obras e Serviços Públicos do Estado (Deosp), que mantém diversas frentes de trabalho em todo o Estado, sempre com a marca da competência e do respeito com os recursos públicos.

Valter Araújo declarou que a escola possui a seguinte estrutura física: 10 salas de aula, bloco administrativo, espaço para secretaria e direção, poço semi-artesiano, caixa d´água, e instalação elétrica apropriada com espaço para implantação de gerador de energia elétrica.

Prefeitura de Pimenta Bueno elabora plano de Habitação Popular

PIMENTA BUENO (RO) - Com a Capacitação da Equipe técnica e Conselho Gestor de FHIS, e apresentação da Metodologia para coleta de sugestões, ocorrida dia 20 de novembro, no Gabinete Prefeitura Municipal de Pimenta Bueno, foi cumprido o primeiro passo do Cronograma de Execução do Plano de Habitação do Município, quando estiveram presentes a Empresa Consultora e Equipe Executora - EEM. e Conselho Gestor do FMHIS.

O cronograma prevê ainda no mês de novembro um Seminário de Lançamento do Plano e pactuação da proposta metodológica à Comunidade, no Auditório da FAP - Faculdade de Pimenta Bueno, com todos os seguimentos organizados, e Reuniões setoriais de sensibilização, capacitação e diagnóstico com representantes das esferas governamentais existentes no município e da sociedade civil, dia 27 na Escola Orlando Bueno, na Escola Cordeiro de Farias, dia 28 na Câmara de Vereadores e no Projeto Casulo, e no dia 2 de dezembro na Escola Itaporanga, momementos nos quais deverão estar presentes também representantes dos conselhos, setor produtivo e líderes comunitários e presidentes de bairro.

Nos dias 3 e 8 de dezembro devem acontecer Reuniões técnicas para levantamento dos diagnósticos existentes (Leitura Técnica), na Prefeitura, com a Empresa Consultora e EEM, e no dia 10 de dezembro deve ocorrer a Reunião técnica para análise do produto: Diagnóstico do Setor Habitacional de Pimenta Bueno.

Como estratégias serão feiras uma Audiência Pública para apresentação e aprovação do PLHIS-PB-PB, dia 12 de dezembro na Câmara de Vereadores entre a Empresa Consultora e EEM e Comunidade -Todos os Segmentos, e Reuniões técnicas para ajustes das proposições oriundas da Audiência, e verificação final do documento contendo o produto identificado no Plano de Trabalho e Finalização do Produto, dia 17 de dezembro, na Prefeitura, com a Empresa responsável pelo Plano de Habitação

TNC e LMC International divulgam estudo sobre os custos ambientais da expansão dos biocombustíveis

De acordo com o documento, em 2014, até 54 milhões de hectares de terra poderão ser necessários para atender a demanda por biocombustíveis no mundo, se as atuais políticas de subsídios e incentivos forem mantidas.

A The Nature Conservancy (TNC), uma das mais antigas ONGs ambientais do mundo, e a consultoria LMC International, especialista em commodities agrícolas sediada no Reino Unido, divulgam o estudo “Uma oportunidade para o Brasil: minimizando os custos ambientais da expansão dos biocombustíveis”. O documento mostra que, até 2014, serão necessários entre 12 e 54 milhões de hectares de terra para atender a demanda por biocombustível em todo o mundo, dependendo do cenário utilizado, sendo que, deste total, a maior parte - entre 7 e 50 milhões de hectares - virá da América do Sul. Além de apontar as possíveis demandas mundiais, o estudo apresenta o caminho para minimizar os impactos ambientais desta expansão, sem que haja novos desmatamentos.

O estudo construiu três cenários da situação mundial e analisou a demanda por terras aráveis para a produção dos biocombustíveis. “O relatório que apresentamos aborda uma das principais questões ambientais de nosso tempo: biocombustíveis e uso da terra”, comenta David Cleary, diretor de Estratégias de Conservação para a América do Sul da TNC e co-autor do estudo. Para ele, o Brasil pode se tornar um modelo ambiental para o mundo, além de uma superpotência agrícola, se canalizar a expansão agrícola para áreas já abertas para pastagens e souber conciliar agricultura a uma pecuária mais intensiva. “É este potencial que está sendo apresentado no estudo”, explica. “O que está em jogo é muito crítico, pois dezenas de milhares de hectares a serem desmatados para biocombustíveis representam um desastre ambiental em termos de biodiversidade e emissões de carbono para a atmosfera”.

Para que a expansão aconteça em áreas já desmatadas em vez de matas nativas, os pesquisadores sugerem que é preciso aumentar a densidade dos rebanhos na criação de gado e integrar melhor a pecuária e a agricultura, gerando, desta forma, mais valor para as terras já abertas. Assim, é possível evitar possíveis desmatamentos com o deslocamento da pecuária para a Amazônia, fixando os pecuaristas dentro do Cerrado. “O monitoramento do uso da terra é barato e tecnicamente viável, e se torna uma base para sistemas de certificação que será estratégica para abrir fronteiras no mercado de etanol internacional”, explica Carlos Klink, coordenador da equipe de Agricultura do Programa das Savanas Centrais da TNC e co-autor do estudo.

A legislação brasileira vigente – o Código Florestal – é uma ferramenta poderosa para abrir acesso a mercados como a União Européia neste sentido. “A adequação ao Código se torna um poderoso argumento contra as posições hostis aos biocombustíveis brasileiros nos fóruns comerciais internacionais, e posiciona os produtores nos mercados onde a neutralidade do carbono já é um fator a ser considerado, já que a ausência da conversão do habitat é essencial para que a balança do carbono seja positiva”, explica Klink. Segundo ele, já existem projetos de campo concretos espalhados pelo país que demonstram que a adequação ambiental é viável, barata e um bom investimento para o exportador agrícola brasileiro.

O estudo é lançado justamente no momento em que a regulamentação para a importação do etanol na União Européia está sendo determinada, e a demanda para certificação da ausência de desmatamento e impactos positivos de carbono está cada vez mais concreta. O estudo demonstra como esta demanda pode ser facilmente atendida dentro do contexto brasileiro. “Manter percentuais das propriedades agrícolas com vegetação nativa conforme estabelecido em Lei (80% na Amazônia, 35% em áreas de transição e 20% na Mata Atlântica) abre a oportunidade para se conciliar a conservação em escala com os proprietários da terra; nenhum outro país poderá produzir etanol de modo eficiente e em escala, obtendo ainda os benefícios de carbono gerados, se nenhuma conversão for realizada e as práticas corretas de gestão forem seguidas,”, finaliza Klink.



Sobre a The Nature Conservancy – TNC

The Nature Conservancy (TNC) é uma das mais antigas ONGs ambientais do mundo, criada em 1951. Presente no Brasil desde 1988, a TNC desenvolve projetos nos principais biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga) e atua em 34 países. Conheça nossos projetos: www.nature.org/brasil

Adriana Kfouri
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